Uma crítica do “hoje” sob uma visão do “ontem”

Confesso que ao volante minha imaginação funciona que é uma beleza! Passo muito tempo dirigindo, em decorrência de minha profissão.

No dia de ontem, após mais uma reunião produtiva e atualizações dos processos de um cliente, mais uma vez passava pela Marginal Tietê, em São Paulo e digo que as paisagens do local não mais me são incomuns.

Contudo, ontem, uma imagem chamou-me a atenção! Aproveitei o engarrafamento para “clicá-la” pela câmera do “smartphone”.

Em uma das margens do Rio Tietê, em letras garrafais, via-se escrito: *”ELEIÇÕES GERAIS JÁ”*. Era este o tema central da curiosa imagem!

Lembrei-me das Diretas na década de 80, dos cara-pintadas da de 90, das manifestações de 2013, quando jamais na história deste país “0,20” centavos foram tão valiosos – tais manifestações demonstraram há tempo uma sociedade cansada e desejosa de mudança. Falo das manifestações mais recentes da história.

Depois, ao novamente acessar a foto na biblioteca do aparelho e observar os detalhes da imagem, notei o retrovisor do carro no canto inferior direito que projetava a imagem do que havia atrás do meu carro.

Pensativo, logo vieram-me os seguintes pensamentos: *O que vem pela frente? O que se aprendeu pelo retrovisor da história?*

Lembrei-me também de outra imagem que me chamou a atenção dias atrás: li no “avatar” do WhatsApp de um amigo: *”A ideia é morrer Jovem, o mais tarde possível”*.

Serviu-me como que um oráculo a afirmação!
Perguntas surgiram, as mais variadas, tipo: o quanto o ser humano está desconectado da sua responsabilidade pelo que é comum, a ausência de comprometimento com o cuidado das reservas naturais, e por aí vai.

Vivemos uma crise moral. Vivemos a ausência dos bons costumes e isso tem se refletido em todas as partes, gerando intolerância, conflitos de todas as vertentes, inquietação social, disseminação de dúvidas em todas as esferas da sociedade.

Parece que, de repente, houve um colapso de memória coletivo fomentador do esquecimento de que a sociedade é norteada por questões que guardam correlação e derivam do respeito, da ética, dos bons costumes, da responsabilidade com o que é meu, com o que é do outro e com aquilo que é de todo mundo. Isso sem aprofundarmos a questão da confusão que se vislumbra no que se refere à crise havida entre as camadas de poder em contraposição com a cláusula constitucional que diz que “todo o poder emana do POVO”. Do Povo???

Quando ausente a lei, o julgamento deve ocorrer com base na moral, nos bons costumes e nos princípios gerais de direito. Ausente a moral, os bons costumes e esquecendo-se os atores dos princípios gerais de direito, instala-se o caos dentro da frágil democracia brasileira. Frágil não por princípio, mas, sim, frágil por seu articuladores.

Não adianta mais reclamar e não haver concentração, desgaste no pensamento e implantação da Mudança. Mudança há anos tão almejada pela sociedade brasileira. E, diga-se de passagem, que nem adentramos ao mérito dos interesses escusos da política atual, obviamente deixando de lado os poucos e bem intencionados políticos do cenário. Daria pano para a manga!

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