Arte e Generosidade

Arte e generosidade são indissociáveis, penso.

Não há verdadeira arte se não se abre lugar ao transcendente.

Há muito de mim na minha arte, mas, também, há nela muito do universo contido no esforço do artista, posto que, igualmente, da percepção do mundo na subjetividade do artista, nasce a arte. A Mão misericordiosa de Deus também empurra. Arte é Esforço e Redenção no mesmo terreno de jogo.

Arte não é um fim em si mesmo, arte é para a redenção. Redenção de si, redenção do outro, redenção do mundo.

Fazer arte dói. Sei o quanto dói fazê-la, produzi-la e vivê-la.

O caminho percorrido entre a gestação de uma obra até a apresentação da mesma ao público é processo dorido. Dor, suor, luta, decepção, emoção. Fazer arte é deixar-se lapidar.

Muito da arte nasce da incongruência do Artista que precisa encontrar-se e saber retomar o caminho quando se vê fora dele. Nasce também da beleza do sentimento da proximidade com Deus ou, da mesma forma, das noites e dias escuros, que mesmo em pleno sol, absorvendo e vivendo o processo de angústia que é viver da Fé muitas vezes.

Por mais que ocultada, a arte um dia vem à tona e se eterniza no olhar, nos sentidos, no coração de quem a recebe, mas, fazer arte dói. Redime ao outro e ao artista, mas, dói!

Posso pintar um quadro e guardá-lo. Escrever uma poesia e engavetá-la. Não se cumprirá assim a verdadeira finalidade da arte: tornar a vida do mundo mais leve, mais salutar, mais prazerosa, mais leve, mais perto de Deus. Arte é para ser exposta assim como o coração do Artista.

Como disse: arte e generosidade caminham juntas…não conheço um artista que na sua essência não seja generoso.

E a plena generosidade da arte está no “não pensar em si e sempre pensar no outro”, mesmo sendo ambos destinatários da Arte e da Misericórdia que dela emana.

Dedico estas palavras a todos os meus amigos Padres e Artistas, com os quais aprendo dia a dia o que é ser verdadeiramente generoso, mesmo vivendo com eles as dores que a arte traz consigo.

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